O sol aparece no verão. O céu clareia. Os holandeses sorriem.
Então chegam os turistas.
Eles enxameiam. Eles não se movem. Eles bloqueiam as ciclovias.
Dilara Uysal odeia essa parte. Ela mora no Jordaan, aquele bairro perfeito para cartões postais, há dois anos. Aos vinte e seis anos, ela toca a campainha da bicicleta mil vezes por dia.
“Eles andam por toda parte, mas não se movem.”
Ela observa as filas nos museus crescerem. As manchas locais desaparecem. Os correios? Fechado. Agora ela tem que pedalar dez minutos só para enviar uma carta. Ela adora viajar. Ela entende por que as pessoas vêm. Mas ela teme que eles estejam visitando um desenho animado.
Fico triste por eles por não poderem ver a verdadeira Amsterdã.
Eles seguem as tendências do TikTok. Eles perseguem uma versão fabricada da vida holandesa. A cidade precisa do dinheiro deles. É uma dependência suja. Aumento dos aluguéis. Os cafés morrem. Uysal os quer aqui. Só não assim.
A Loucura nos Canais
De Wallen. O Distrito da Luz Vermelha. Acolhe 2,5 milhões de pessoas por ano. Parece a Disneylândia sob efeito de ácido ruim.
Stan Paardekooper mora lá desde 1992. Ele esteve lá antes da multidão. Naquela época, você podia comprar pão. Você poderia falar com o açougueiro.
Agora? Lojas de patos. Lojas de sexo. Menus de café homogêneos.
Não há mais vínculo comunitário. Ele vai às reuniões do conselho. Ele se importa. Um vizinho disse que ele não pertencia mais. Paardekooper ficou furioso.
Eu estudei aqui. Paguei meus impostos aqui. Eu quero ficar.
Os cidadãos começaram “Stop de gekte op the Wallen” (Pare a loucura). Eles postaram vídeos de ruas cheias de lixo. Pessoas bêbadas cantando. Strippers posando. Travessas na calçada. Eles tentaram vigílias noturnas. Os proprietários de empresas gritaram com eles. Disseram que perderam dinheiro. Então eles pararam de assistir.
As visitas guiadas são proibidas nas ruas que dão acesso às janelas. Não apenas nas janelas. Nas ruas. Paardekooper diz aos guias para pararem. Alguns pedem desculpas. Alguns gritam com ele. Pergunte se ele é policial.
Fotografando profissionais do sexo? Banido. Fumar? Multar. Urinar? Multar. Bebendo na calçada? Multar.
Não importa. Eles fazem isso de qualquer maneira.
Movendo o Distrito da Luz Vermelha? Os políticos adoram essa ideia. As trabalhadoras do sexo odeiam isso. Um local remoto significa vulnerabilidade. Perigo. De Wallen é patrimônio da UNESCO. É história. Você não pode simplesmente mover a história como se fosse um móvel.
Limitar os números? Sim. Pare as massas. Pare de tratá-lo como um parque temático.
Quem paga o aluguel?
Proibir turistas de cafeterias? Maastricht fez isso. Somente residentes são permitidos.
Uysal acha isso brilhante. Mata o cheiro de maconha. Muda a imagem. Os proprietários se preocupam com seus resultados financeiros. Além disso, os temores do mercado negro.
Amsterdã tentou limites. Em 2021. A cidade queria limitar as dormidas em 20 milhões. Os residentes assinaram 30.000 nomes.
O que a cidade fez? Impostos aumentados. Proibido fumar maconha em público (multa de 100 euros). Bares fechados mais cedo. Navios de cruzeiro restritos. Disse aos adolescentes britânicos para ficarem em casa.
Funcionou?
Não.
Amsterdã registrou 23,7 milhões de estadias em 2024. Um aumento de 800,00. Em uma cidade com menos de um milhão de habitantes.
Então o imposto sobe. 20 por cento até 2130.
O problema não é o turismo. É equilíbrio.
Jacques Huppes entende isso. Ele tem trinta e oito anos. Ele está com “Amsterdam Heeft Een Keuze”. Eles processaram a cidade.
O limite de 20 milhões não era uma lei. Foi um memorando.
A batalha judicial continua. Grupos de cannabis e hotéis lutam ao lado do município. É uma bagunça jurídica.
Enquanto isso, as pequenas empresas fazem as malas.
Sjap Horwitz administrou uma loja de tatuagem em Haarlemmerdijk por 26 anos. Ele se mudou em junho. Seu amigo que estava lá antes dele também se mudou. Os aluguéis foram exponenciais.
A marcenaria morreu. A casa de chá de 400 anos fechou no ano passado.
Em seu lugar? Franquias. Lojas de Nutella. Barracas de souvenirs.
Horwitz culpa a ganância imobiliária. Não os turistas. Ele quer que as pessoas aproveitem a cidade. Ele só quer os artesãos de volta ao centro. Uma loja de souvenirs está bem. Um lugar de Nutella está bem. Diversidade. Esse é o ponto.
Uma solução ou apenas mais um imposto?
O novo conselho assumiu o poder em 10 de junho. De tendência esquerdista. Eles prometem habitabilidade.
O plano deles? Compre de volta edifícios. Crie um fundo imobiliário. Transforme propriedades centrais em residências ou negócios locais, em vez de investimentos.
Eles estão aumentando a taxa turística para 20%.
Amsterdã já tem impostos elevados. Eles financiam a manutenção da cidade. O Butão cobra US$ 100 por dia. Isso mantém o turismo sob controle. Os impostos da Europa, não. Eles são muito baixos.
Mas o dinheiro ajuda. Os turistas dividem a conta do lixo, das estradas, da polícia. Os moradores param de carregar a carga completa.
O governo holandês quer fechar o terminal de cruzeiros. Menos aglomeração. Os turistas diurnos causam estragos. O plano para um centro erótico no sul de Amsterdã? Sucateado.
Em vez de? Pequenas iniciativas.
A cidade parou de promover Amsterdã como destino.
Mas a proibição de turistas em cafeterias? Ainda não estou lá.
Amsterdã continua linda. Os turistas tornam-no vibrante.
Huppes vê o valor. Eles trazem energia. Sabor internacional.
Apenas se comporte. Trate-o como se fosse sua própria casa.
Eles vão?
A linha continua crescendo.
