“Eu sempre fui aquela criança selvagem.”
Camille Goldstone-Henary caminha por entre os arbustos. Os pés descalços lembram a praia, o mato. Ela procura um bebê Buloke sob a luz salpicada. Salvar animais era o objetivo naquela época. Sempre foi.
Seus pais deram o tom desde cedo. Painéis solares nos anos noventa, muito antes do hype. Cultivando alimentos em casa. Camille seguiu em frente. Tese universitária sobre a Grande Bilby – população caindo 80%. Ciência animal. Biociência veterinária.
Agora ela está em West Wimmeru, em Victoria. Cinco horas de Melbourne. Terras tradicionais dos povos Wotjobalung, Jaadwa, Jawargali, Wergaya, Jupagulk. Ela está dando uma aula de biologia Buloke.
Um arbusto magro. Dois pés de altura. Cinco anos.
Mais adiante. Um adolescente.
Deeper. Uma árvore totalmente crescida.
“Leva mais de 100 anos”, diz Camille, com a mão na casca. O vento bate nas folhas. Ele cantarola. É por isso que as chamam de árvores de harpa do vento.
Ela fundou a Xylo Systems para medir os danos corporativos ao planeta. Então o pivô aconteceu. Os modelos de negócios tiveram que mudar. Não apenas medir os danos. Corrija isso.
O Bank Australia a contratou como Gerente de Natureza e Biodiversidade há oito meses. Uma bola curva na carreira. Para um biólogo conservacionista. Trabalhar para um banco não era o plano. Mas as empresas estão a intervir onde os governos estagnam. A urgência é inegável.
As florestas globais perdem 10,9 milhões de hectares todos os anos. O prejuízo líquido chega a 4,1 milhões. Os habitats de 80% das espécies terrestres são destruídos. Taxas de extinção? 1.000 vezes a velocidade natural.
A Austrália é um hotspot. As faixas de Queensland pousam rapidamente. Os coalas sofrem. O Grande Planador luta. Entretanto, as isenções fiscais são aplicadas aos combustíveis fósseis e à mineração. Aproximadamente 18 bilhões de dólares americanos. A matemática não bate com a estabilidade climática.
O Banco Austrália é diferente. Propriedade do cliente. Nenhum investidor externo mexendo os pauzinhos. Um voto por cliente.
Uma exigência de 87% numa sondagem de 2023: proteger a natureza. Agir sobre a biodiversidade.
O banco comprou a Minimay em 2008. Terras agrícolas. Ecossistemas despojados. Agora é só mato de novo. Como deveria ser.
Hoje a reserva cobre 2.117 acres. Quatro propriedades: Minimay, Salvana, Ozeenkadenook, Boorupki.
Outras empresas investem dinheiro no problema.
A Patagônia financia grupos de base. A Aviva doou £ 38 milhões ao UK Wildlife Trusts. A Air New Zealand prometeu fundos para restauração.
O Bank Australia compra o terreno.
Eles desenvolvem a estratégia. Eles executam isso. De ponta a ponta. No campo.
Trust For Nature ajuda. O Conselho da Terra de Barengi Gadhgin junta-se a nós.
Queimas culturais acontecem aqui. Mapeamento de espécies. Remoção invasiva de ervas daninhas.
Não se trata apenas de preencher cheques. Está sujando as mãos.
Laura McLean gerencia projetos na Trust For Nature. Ela mostra o site Ozeenkadenook. As flores da primavera prometem beleza ainda este ano. Por enquanto, a esfoliação na altura do joelho esconde um trabalho crítico.
Ela mapeia o visco Buloke. Cru. Hemiparasitário. Criticamente ameaçado.
“Você não ouve os bancos fazendo gerenciamento de solo”, observa ela. Outras empresas devem tomar conhecimento. Este é o modelo.
A terra tem convênios de conservação. Protegido para sempre. Mesmo se vendido, permanece protegido.
Bulokes precisa de tempo. Séculos, na verdade.
A economia é extrativista. A natureza está fora do balanço. Essa visão está ultrapassada. Precisamos de sistemas regenerativos.
“Estamos fazendo isso aqui de uma forma muito grande.”
O vento agita as folhas da harpa.
Algo está voltando a crescer.
Alguém mais comprará um terreno para salvá-lo?
























