“Sem confusão, sem xingamentos, sem brigas.”
É o que diz a placa acima do bar do The Little Longhor n Saloon. Luzes de neon zumbiam. Fotos autografadas de estrelas country alinham-se nas paredes. Lá fora, as pessoas se amontoam sob uma única tenda. Eles estão olhando para um galinheiro.
Aposentados de cabelos brancos se misturam com estudantes da UT. Uma criança está ficando vermelha por causa do sol do Texas. Uma mulher de St Louis diz que viu isso no Instagram e quer comprar suas próprias galinhas. Um garoto da Flórida segura um bilhete de bingo como se fosse uma escritura de hipoteca.
Então acontece o evento principal.
Uma mulher de short e chapéu de cowboy conduz um galo ruivo no meio da multidão. O pássaro decide que o número 29 é o seu lugar. Aplausos explodem. Alguns vencem. A maioria não se importa. É estranho. É alegre. E de alguma forma parece um ritual de 50 anos.
A Marca vs O Osso
‘Keep Austin Weird’. Está em camisas tie-dye há 25 anos. Red Wassenich o cunhou em 2000. Ele era bibliotecário. Ele queria celebrar algo “pouco sério” e livre do materialismo. As lojas locais gostaram. Eles usaram isso para dizer às pessoas para apoiarem lojas independentes.
Mas a frase não criou a vibração. Apenas rotulou o que já estava lá.
Austin é um ponto liberal em um estado conservador. Músicos, desajustados, artistas. Eles vieram pelo individualismo. Eu sou de Nashville. Mudei-me para cá há uma década. Gostei da falta de pretensão. Eu poderia ser eu mesmo. Não é necessário traje.
Eu não estava sozinho. Desde que o slogan pegou, os preços das casas subiram cerca de 237%. A população ultrapassou um milhão. Tesla veio. O Google veio. A Apple está aqui. É uma cidade em expansão. Uma bolha tecnológica com botas de cowboy.
Será que uma cidade pode chegar à idade adulta sem deixar a alma na calçada?
Les Carnes observa essas coisas. Ele é voluntário no Aniversário do Bisonho desde 1979. São quase 50 anos. Ele defende um festival para um burro mal-humorado.
São todos voluntários. Pease Park se torna um país das maravilhas. Círculos de tambor. Trajes de fantasia. Carnes chama isso de “recreio para adultos”. As pessoas dançam em volta de um mastro envolto em fitas. Vizinhos tornam-se estranhos e tornam-se amigos novamente.
Heather Hampton começou a vir em 2013. Agora ela é presidente.
“Qualquer um está convidado”, diz ela.
Não importa com quem você se parece.
Há um lugar para você.
Essa é a promessa de Austin.
A música morreu?
Pergunte a dez moradores locais o que significa “estranho”. Você obterá onze respostas.
Denis O’Donnell dirige o Cavalo Branco. Ele existe desde os anos 90. Para ele, estranho é o espírito boêmio. Austin era barato. Foi fácil fazer shows. Foi a ‘Capital da Música ao Vivo’.
Então veio o SXSW.
Fundada em 1987. Agora é um gigante global do cinema e da tecnologia. O’Donnell se lembra de quando Willie Nelson e Snoop Dogl apareceram na grama atrás de um local. Nenhum comunicado de imprensa. Apenas música.
Fui ao SXSW este ano. Eu tinha um distintivo de platina.
Eu não vi Snoop.
Os eventos estão dispersos. Somente com reserva. Longas esperas. Parece uma conferência, não um mecanismo de descoberta. O marketing de massa substituiu a magia.
“Austin foi vítima do seu sucesso”, diz Carnes.
Ele se mudou para Hill Country. Não é Austin propriamente dito. Muito caro. Ele sente falta de quando as coisas eram gratuitas. Quando você não precisava pagar para pertencer.
Para onde foi o estranho?
Então fui ao Donn’s Depot.
É uma antiga estação ferroviária. Manchas no tapete vermelho. Sucata ferroviária nas paredes. Parece mobília de sala onde cresceram pernas. Jovens de 20 anos convivem com casais que fazem isso desde que Bush assumiu o cargo. Donn Adelman, de oitenta e poucos anos, ainda toca piano três noites por semana.
Ninguém está olhando para telefones.
Ninguém se importa com mais nada além das tábuas do piso.
É o mais barulhento estranho? Não.
É o mais verdadeiro? Provavelmente.
Saindo, me perguntei se o slogan estava errado. Talvez manter tudo estranho não seja ser estranho. É uma questão de pertencer.
Levo minhas evidências para Lady Bird Lake nas noites quentes.
As Serenatas Latinas ao Luar estão em seu 20º ano. Os caiaques derivam em direção a um palco flutuante. Bandas latinas ao vivo tocam no horizonte do pôr do sol. Os cães sentam-se em pranchas de paddle com coletes salva-vidas. As pessoas saltam em barcaças para dançar salsa.
Você não sabe quem chegou junto.
Você não se importa.
O crescimento dói. Isso precificou as pessoas. Mudou de bairro. Mas o sentimento não desapareceu. Ele se esconde. Espera nos bolsos.
Você descobre isso conversando com o dono de uma loja que está lá desde sempre. Ou ficar para um segundo set. Ou apenas ajudando.
“Certifique-se de bater palmas”, diz O’Donnell.
Quando a banda parar.
Bata palmas.
- O Pequeno Salão Longhorn
- O Cavalo Branco
- ** Artemísia **
- Aniversário do Bisonho
- Serenatas Latinas ao Luar
- Depósito de Donn
Saí da casa de Donn pensando naquelas palmas. Não porque você precisa. Mas porque se você não…
A música simplesmente para. E o silêncio fica muito caro, muito rapidamente.
























